Presença portuguesa no Alto Tietê: do período colonial à fundação de Suzano

Por Redação Ecoax · 3 de outubro de 2026 · Alto Tietê

Informações verificadas em 3 de outubro de 2026

Monumento em homenagem aos navegadores portugueses Foto: Efrem Efre (Pexels)

A presença portuguesa no Alto Tietê aparece documentada em três momentos: as expedições e a fundação da vila de Mogi das Cruzes, entre 1560 e 1611; a igreja e o convento erguidos por jesuítas e franciscanos em Guararema; e, no fim do século XIX, a atuação do ferroviário português Antonio Marques Figueira na formação de Suzano. Nas fontes consultadas, não foram localizados dados sobre o número de imigrantes portugueses na região nem associações portuguesas em atividade nas cidades do Alto Tietê.

Mogi das Cruzes e o período colonial

Segundo a linha do tempo de O Diário de Mogi, em 1560 a região já servia de ponto de descanso das expedições do bandeirante Braz Cubas. O primeiro caminho entre São Paulo e Mogi foi aberto em 1601, e Gaspar Vaz formou um povoado com cerca de 20 famílias. A Vila de Sant’Anna das Cruzes de Mogi surgiu em 1611. O mesmo levantamento registra a chegada da Ordem do Carmo à cidade ainda no século XVII.

Guararema: jesuítas e franciscanos

Em Guararema, a prefeitura registra a fundação do Aldeamento da Escada em 1611, com indígenas catequizados. A primeira capela foi erguida pelos jesuítas em 1652. Em 1734, os franciscanos construíram uma nova igreja com convento anexo, em taipa de pilão. O conjunto da Igreja Nossa Senhora da Escada foi tombado pelo Iphan em 25 de janeiro de 1941 e preserva construções do período em que a região era administrada pela Coroa portuguesa.

Suzano e o ferroviário português

A ferrovia entre São Paulo e Mogi das Cruzes foi inaugurada em 6 de novembro de 1875. Segundo o histórico da Câmara Municipal de Suzano, o ferroviário português Antonio Marques Figueira construiu a primeira casa perto da Parada Piedade e participou da fundação da cidade planejada, a Vila da Concórdia, cujo traçado de ruas foi aprovado em 1890.

O nome dele permanece no Casarão da Memória Antônio Marques Figueira, espaço que, de acordo com O Diário de Mogi, documenta a imigração japonesa e a migração nordestina em Suzano. Assim, a casa ligada a um pioneiro português guarda também a memória de outros grupos que formaram a cidade.

Referência para pesquisa

Para quem pesquisa a imigração portuguesa em São Paulo, uma referência institucional é a Casa de Portugal, associação fundada na capital paulista em 13 de julho de 1935 para representar imigrantes portugueses e seus descendentes. Ela fica na capital, não no Alto Tietê.

O que ainda falta documentar

Festas, receitas e associações de origem portuguesa no Alto Tietê não foram confirmadas em fontes públicas durante esta pesquisa. Arquivos municipais, cartórios e acervos de famílias da região são os caminhos indicados para ampliar esse registro.


Créditos de imagem: Foto: Efrem Efre (Pexels)